segunda-feira, 29 de setembro de 2025

 

Uma abordagem preliminar de uma das causas patológicas mais comuns em construções de residências, em dois bairros da cidade de Juazeiro do Norte, devido a umidade

 



Alexandra Gonçalves da Silva[1]

 

Resumo

A umidade é responsável por 50% dos problemas patológicos nas edificações, ocasionando condições de insalubridade e consequentemente desconforto pessoal, além de contribuir para uma acelerada deterioração dos respectivos materiais (MANUAL TÉCNICO DA VEDACIT, [2018]). O presente trabalho tem como objetivo identificar as principais formas de manifestações de umidade, verificar as patologias decorrentes e finalmente propor soluções técnicas para essas anomalias. A pesquisa desenvolveu-se por meio de dados bibliográficos, visitas in loco, observações com registros fotográficos e coleta de dados através de questionário (idade da edificação, identificação do problema, possíveis causas, intervenção do proprietário para minimizar o problema, verificação do que pode ser recuperado e o que tem de ser refeito e qual o método mais eficiente e econômico).  Foram visitadas quatorze casas populares, sendo que sete no bairro Franciscanos e sete no bairro Casas Populares, onde foram constatados que 44% dessas casas apresentavam problemas devido à ascensão capilar, 14% por vazamentos, 14% devido à umidade do reboco, 14% pela presença da chuva, 7% pelo fluxo superficial da água e mais 7% devido a paredes de encostas. Portanto concluiu-se que a ascensão capilar é o meio por onde a umidade se manifesta com maior intensidade, provocando o aparecimento de maiores patologias nestes locais, ou seja, nos rodapés de paredes.

 

 

Palavras-chave: Umidade. Patologia.

 

Abstract

Moisture is responsible for 50% of pathological problems in buildings, causing unhealthy conditions and consequently personal discomfort, in addition to contributing to an accelerated deterioration of the respective materials (MANUAL TÉCNICO DA VEDACIT, [2018]). The present work aims to identify the main forms of humidity manifestations, verify the resulting pathologies and finally propose technical solutions for these anomalies. The research was carried out using bibliographic data, on-site visits, observations with photographic records and data collection through a questionnaire (building age, problem identification, possible causes, owner intervention to minimize the problem, verification of what can be recovered and what has to be redone and what is the most efficient and economical method). Fourteen popular houses were visited, seven in the Franciscanos neighborhood and seven in the Popular houses neighborhood, where it was found that 44% of these houses had problems due to capillary rise, 14% due to leaks, 14% due to plaster moisture, 14% due to presence of rain, 7% due to surface water flow and another 7% due to slope walls. Therefore, it was concluded that capillary rise is the means by which humidity manifests itself with greater intensity, causing the appearance of greater pathologies in these places, that is, in the baseboards of walls.

 

Keywords: Moisture. Pathology

 

1          INTRODUÇÃO

 

Desde sempre os arquitetos e engenheiros, tem tentado combater os problemas associados à umidade nas edificações. Segundo Cabaça (2002 apud VITRÚVIO, séc. I a.C), a utilização de paredes duplas de modo a minimizar a penetração das chuvas nas mesmas e reboco hidráulico para a redução da ascensão capilar na base dos perímetros já eram recomendados no século I a.C.

 A palavra patologia tem origem grega “páthos” = a doença, e “logos” = estudo, podendo ser compreendida como o estudo da doença pela ciência. Na engenharia civil, o termo pode ser atribuído ao estudo de vícios causados aos empreendimentos e edificações, por falhas visíveis que podem ter sido originadas, além de outros motivos, pela imaturidade profissional. Dessa forma, esses problemas são ocorrentes, tanto em construções antigas, quanto em novas (FERREIRA e OLIVEIRA, 2021).

O presente trabalho pretende de uma forma sucinta enumerar as causas dos principais tipos de patologia que ocorrem nas paredes de algumas casas de padrão popular na cidade de Juazeiro do Norte, situada a 557 km da capital cearense.

Apesar de ser muito comum os problemas decorrentes de umidade, seja ela proveniente de absorção capilar, infiltração ou fluxo superficial, condensação, higroscópica ou condensação capilar, a população Juazeirense ainda não se conscientizou de que a forma mais simples e econômica de se ter uma casa de qualidade, é adotando procedimentos construtivos adequados, bem como utilizar corretamente os materiais apropriados existentes no mercado, de modo a garantir a estanqueidade necessária aos componentes da obra expostos a água ou a ação da chuva.

Mas não é somente a população do Juazeiro do Norte que não tem essa preocupação em impermeabilizar as suas casas, no Nordeste do Brasil inteiro não existe essa cultura. Isso acontece porque na região nordeste o clima é relativamente seco e na maior parte do ano não chove. Devido esse fato, as pessoas só costumam ter noção de algum problema com a umidade, depois de ocorrerem às primeiras chuvas.

Em outros países do mundo, principalmente os europeus, não é assim que acontece. Os engenheiros, arquitetos e construtores têm uma preocupação muito grande com a impermeabilização de suas obras, isso porque nesses países os empresários da construção civil têm a exata noção do alto custo com reparos nas áreas mal impermeabilizadas e das rigorosas leis de proteção aos direitos dos consumidores.

Segundo o Manual técnico da Vedacit (2019), empresa do ramo de produtos impermeabilizantes, os gastos com proteção contra umidade, desde que previstos no projeto e utilizados desde a fundação até o acabamento, representam de 1% a 3% do custo total da obra.

Já quando o trabalho é adotado para a correção de problemas gerados pela não utilização dos impermeabilizantes, essa marca pode ultrapassar até 15% do valor desse mesmo imóvel. (ibid).             

Primeiramente analisar-se-á os diferentes meios de facilitação da presença da umidade, como eles se difundem, qual a sua origem, para posteriormente se analisarem as patologias que podem ocorrer bem como as causas associadas às mesmas e a forma mais eficaz de evitar e corrigir.

Um problema patológico segundo [SHIRAKAWA et al., 1995] pode ser entendido como uma situação em que o edifício ou parte dele, em um determinado instante de sua vida útil, não apresente o desempenho previsto.

Este trabalho tem como objetivo identificar os principais mecanismos que podem gerar a umidade em algumas casas populares da cidade de Juazeiro do Norte – CE, bem como abordar assuntos referentes a patologias e soluções para tais problemas.

 

2          MECANISMOS QUE PODEM GERAR PATOLOGIAS EM PAREDES DEVIDO A PRESENÇA DE UMIDADE

 

            A água é um dos mais ponderáveis fatores de desgaste e depreciação das construções, devido ao seu extraordinário poder de penetração. Para SOUZA (2008 p. 8), os defeitos mais comuns na construção civil, são decorrentes da penetração de água ou devido à formação de manchas de umidade. Estas que podem se manifestar em diversos elementos das edificações, como: paredes, pisos, fachadas e elementos de concreto armado. KLEIN (1999) define umidade, no âmbito da engenharia como a “qualidade ou estado úmido ou ligeiramente molhado”.           

            Diante disso, a impermeabilização se faz uma das etapas mais importantes na construção, devendo ser tratada com a devida atenção por parte dos engenheiros, construtores, arquitetos e projetistas. O ato de impermeabilizar uma superfície, impedindo que a água ou qualquer fluido atravesse essa área ou objeto, propicia uma eficiente proteção aos diversos elementos de uma obra sujeitas às ações das intempéries, permitindo a habitabilidade e funcionalidade da edificação, evitando também, o aparecimento de inúmeros problemas patológicos que poderão surgir com infiltração de água.

            São várias as formas sob as quais as patologias, devidas à presença de umidade, podem se manifestar. Para cada tipo de caso podem se manifestar vários sintomas diferentes, os quais poderão ser detectados visualmente, através de ensaios, análises ou cálculos específicos. Muitas vezes, apenas a observação visual poderá acarretar incertezas, devido ao fato de vários destes sintomas não serem específicos de um dado tipo de patologia.

            Pode-se afirmar que a umidade em parede se manifesta de várias formas diferentes:

   Umidade ascendente;

   Umidade de condensação;

   Umidade decorrente da higroscópicidade;

   Umidade decorrente de intempéries;

   Umidade de construção;

   Infiltração.


Figura 01: Fatores contributivos para manifestação de umidade em paredes


Fonte: Apostila impermeabilização (2009) Faculdade Assis Gurgacz.

http://www.fag.edu.br/professores

 

            Dentre as citadas acima, a mais recorrente nas casas visitadas foi a umidade ascendente por capilaridade.

 

2.1      Umidade ascendente por capilaridade

 

            Segundo Yazigi (2004, P. 514), “a água é contida, através de canais capilares existentes no material, pela tensão superficial”.

            “Caso a água seja absorvida permanentemente pelo material de construção em região em contato direto com o terreno, e não seja eliminada por ventilação, será transportada gradativamente para cima, pela capilaridade (ibid.)”.

 

Figura 02: Esquematização geral da ascensão de água por capilaridade.


Fonte: Sonia Cabaça [mn_9_nov_2002_humidade6.pdf]

 

            Segundo Thomas (1989), “a água presente no solo poderá ascender por capilaridade à base da construção desde que os diâmetros dos poros capilares e o nível do lençol de água assim permitam”.

           Portanto não havendo impermeabilização entre o solo e base da construção, a umidade terá acesso aos seus componentes, podendo trazer sérios inconvenientes a pisos e paredes do andar térreo, como podemos observar na figura 2 e 3.

 

Figura 03: Reboco soltando


Fonte: Residência do bairro Franciscano – Juazeiro do Norte - CE

 

              Segundo Nappi (1996), “a ascensão de águas nas paredes é inversamente proporcional ao diâmetro dos poros, ou seja, quanto menor o seu diâmetro maior é a altura que a água poderá atingir”.

De acordo com Nappi (ibid, 1996), “estes condutos capilares são canais de diâmetros finíssimos, que serpenteiam através dos materiais com água que avança vencendo a força da gravidade”.

              Segundo Nappi (1996 apud EICHLER, 1973), a água pode atingir as seguintes alturas:

Tabela 01 Altura que a água pode atingir por capilaridade

Diâmetro dos capilares (mm)

Altura máxima (mm)

1,00

15

0,01

1.500

0,0001

1.50000

Fonte: www.labrestauro.ufsc.br/artigos/5.umidade

 

              De maneira geral, segundo Nappi, “pode-se dizer que a ascensão de água numa parede acontecerá até o nível em que a quantidade de água evaporada seja igual à absorvida do solo”.

              Existem basicamente dois tipos de fonte nesse caso de alimentação de água nas paredes: lençol freático e águas superficiais.

Figura 04 - Caso de umidade ascendente de águas superficiais numa parede exterior.


.

Fonte: Residência do bairro Casas Populares – Juazeiro do Norte – CE

 

              Nas situações em que a umidade é proveniente de águas freáticas, de acordo com Nappi, “os fenômenos apresentam-se inalterados durante o ano todo, em virtude do tipo de fonte de alimentação permanecer ativo no período inteiro, além da altura das manchas de umidade ser constante em todas as paredes, sendo maiores nas interiores que nas exteriores em função das condições de evaporação ser menos favoráveis”.

              Porém, quando são as águas superficiais que acarretam a umidade, (ibid), os fenômenos apresentam variações durante o ano, à altura da umidade pode variar de parede para parede, sendo de níveis mais altos nas exteriores que nas interiores na medida em que são mais afastadas das respectivas fontes de alimentação.

              Para minimizar esses vícios construtivos é de suma importância a escolha adequada dos materiais aplicados, destacando-se a impermeabilização, e adoção de técnicas construtivas como drenagens que minimizem o transporte da umidade do solo para as alvenarias. Para Salomão (2012), existem diferentes abordagens para o tratamento da umidade ascendente, entre as quais se destacam:

1. Métodos cujo objetivo é impedir a ascensão da água nas paredes visando rebaixar o nível freático, isso pode ser conseguido com diferentes métodos. Este tipo de estratégia apresenta-se muito condicionada ao tipo de solo e ainda com o espaço existente;

2. Métodos destinados a retirar a água em excesso das paredes, onde neste grupo de métodos destaca-se a utilização de eletrodos magnéticos;

3. Métodos que visam impedir o acesso de água às paredes, que incluem a criação de barreiras físicas ou químicas, nas paredes;

4. Métodos que buscam ocultar as anomalias, onde se incluem rebocos especiais (de porosidade controlada), e a criação de paredes para a ocultação das zonas afetadas.

 

2.2      Principais patologias decorrentes da umidade

 

              Patologia estuda os sintomas, os mecanismos, as causas e as origens dos defeitos das construções, ou seja, o diagnóstico dos problemas.

              Geralmente o problema é identificado a partir das manifestações ou sintomas, patológicos que se traduzem por modificações estruturais e funcionais no edifício ou na parte afetada representando os sinais de aviso dos defeitos surgidos.

              Em determinadas situações, os sintomas a serem reconhecidos podem não provocar uma deterioração aparente dos materiais, como é o caso das fissuras em revestimentos de fachadas, por exemplo, que apesar de não apresentar uma questão de perigo iminente para o revestimento, ou seja, de ruína, devem ser corretamente constatadas e verificadas suas causas.

              Cabe lembrar, porém, que as patologias segundo Shirakawa (ibid), “constituem um processo dinâmico e assim sendo, as manifestações, numa determinada época, pode apresentar um aspecto completamente distinto que numa outra, estando em constante evolução”.

              De acordo com VERÇOZA (1991) a umidade não é apenas uma das causas de manifestações patológicas, ela age também como um meio necessário para que grande parte das anomalias e falhas em construções ocorra. Ela é fator essencial para o aparecimento de eflorescências, ferrugens, mofo, bolores, perda de pinturas, de rebocos e até a causa de acidentes estruturais.

 

2.3      Determinação da origem patológica

 

              Um diagnóstico adequado do problema deve indicar em que etapa do processo teve origem o fenômeno patológico.

              Dados analisados pela Vedacit, mostrados na figura 5, revelam a maioria das origens e natureza das falhas.

         

Figura 05: Origens das falhas


Fonte: Manual técnico da Vedacit

 

 

Figura 06: Natureza das falhas


Fonte: Manual técnico da Vedacit.

             

              Outro fator importante que contribui para a degradação desenfreada de um imóvel é a falta de manutenção preventiva.

Figura 07: Lei de Sitter


Fonte: Informação obtida em sala de aula.1

________________________________

¹ Informação fornecida por Paulo de Souza Tavares Miranda em aula da disciplina Patologia e Recuperação de Estruturas, em Juazeiro do Norte em fevereiro de 2005.

              Como é possível constatar na figura 07, os custos finais da manutenção corretiva são muito superiores aos da manutenção preventiva. O ponto de cruzamento das linhas coincide, em geral, com o início da propagação elevada das falhas, exigindo intervenção de alto custo.

              Quanto mais cedo forem executadas as correções, mais duráveis, efetivas, fáceis e baratas serão. A demonstração de correção mais expressiva dessa afirmação é a chamada “Lei de Sitter”.

              Lei de Sitter: os custos de correções crescem em função do período em uma progressão geométrica de razão 5 (cinco). (Informação verbal) ¹.

Figura 08: Custo relativo da intervenção


Fonte: Manual técnico da Vedacit

 

2.4      Soluções técnicas de impermeabilização para evitar e corrigir esses problemas

              Antigamente quando não havia impermeabilizantes, as edificações eram providas de porões e alguns construtores impregnavam os tijolos e as pedras com soluções de gordura animal ou silicatos insolúveis provenientes da cal, com a finalidade de protegê-las da umidade proveniente do solo.

              Segundo Borges,” o concreto e as argamassas utilizadas nos revestimentos possuem poros, trincas e pequenas fissuras, na maioria das vezes imperceptíveis, mas que com a presença da água seja por capilaridade, percolação, entre outros, acabam dando origem a pontos de umidade ou até mesmo vazamentos.”

Figura 09: Umidade ascendente por capilaridade


Fonte: Apostila impermeabilização (2009) Faculdade Assis Gurgacz.

http://www.fag.edu.br/professores

 

              Impermeabilidade é a propriedade de um produto de ser impermeável. A sua determinação está associada a uma pressão limite convencionada em ensaios específicos.

              De acordo com a Quartzolit,” a impermeabilização é um processo de proteção destinado a preservar a construção contra os efeitos da umidade e de vapores. Sejam eles provenientes do solo ou das chuvas”.

              Conforme Yazigi (2004), aditivos impermeabilizantes “são aditivos de ação físico-química, constituídos por sais orgânicos em forma liquida, pastosa ou em pó, que misturados à argamassa ou ao concreto reagem com a cal livre do cimento, formando sais de calcários insolúveis”.

 

Figura 10: Impermeabilização de baldrame


Fonte: Apostila impermeabilização (2009) Faculdade Assis Gurgacz.

http://www.fag.edu.br/professores

 

              Esses aditivos reagem com o calcário do cimento, e o composto resultante repele a água.

              O projeto de impermeabilização deverá ser desenvolvido conjuntamente com o projeto geral e os projetos setoriais de modo a serem previstas as correspondentes especificações em termos de dimensões, cargas e detalhes.

              A elaboração de projetos para impermeabilização deve ser de acordo com a NBR 9575 da ABNT e devem conter memoriais descritivos e justificativos; desenhos e detalhes específicos; especificações dos materiais a serem empregados e dos serviços a serem realizados.

              Para se obter um bom desempenho na aplicação dos sistemas de impermeabilização, devemos tomar alguns cuidados na preparação da superfície:

§  A superfície deve estar desimpedida e livre para o trabalho de impermeabilização;

§  Localizar eventuais falhas de concretagem, removendo as partes soltas e preparar a superfície com argamassa especifica:

§  Providenciar limpeza enérgica da superfície, removendo excesso de concreto, madeira, ferro, poeira, etc. Quando houver óleo, graxas, desmoldantes ou hidrofugantes no concreto, utilizar jateamento com água sob pressão para total limpeza;

§  Umedecer a superfície com água em abundância antes da regularização, para melhor aderência no substrato. 

 

3          METODOLOGIA

 

A pesquisa sobre as principais fontes de propagação de umidade, foi realizada na cidade de Juazeiro do Norte e dividida em duas etapas.

            A primeira etapa iniciou-se com visitas feitas a quatorze casas populares, sendo que sete no bairro Franciscanos e sete no bairro Pio XII. Essa primeira etapa destinou-se a identificar os principais mecanismos que geravam umidade, a verificar as patologias decorrentes e a propor soluções técnicas para evitar esses problemas.

            No momento da coleta de dados in loco foram feitos questionários com os moradores das devidas casas e registros fotográficos dos principais mecanismos geradores de umidade e as patologias resultantes.

            No questionário foram analisados os seguintes tópicos:

 

QUESTIONÁRIO

Nome: _________________________________________________________

Rua:______________________________________N°______Bairro:____ ___

Escolaridade:  (   ) Analfabeto                  (   ) Básico                 (   ) Superior

                        (   ) Fundamental                (   ) Médio                  (   ) Outros

 

 

1.    Quais são os problemas?

______________________________________________________________________________________________________________________________

2.    Quando foram constatados os sintomas pela primeira vez?

______________________________________________________________________________________________________________________________

3.    No decorrer da construção foram feitas modificações nos procedimentos de execução ou de especificações de materiais?

Sim (   )                      Não (   )                      Quais:_____________________________

                                                                                                                                

4.    Foram tomados os cuidados necessários quanto à manutenção e limpeza?

Sim (   )                      Não (   )

 

5.    Aconteceram fatos não previstos?

Sim (   )                      Não (   )                     Quais:_____________________________

                                                          

6.    Quando o usuário notou pela primeira vez o problema e quando resolveu intervir?

______________________________________________________________________________________________________________________________

 

7.    Haveria possibilidade de recordar de algum fato que esteja ligado ao aparecimento do problema?

Sim (   )                      Não (   )                     Qual:______________________________

                                                                                

8.    Ocorreram episódios de reaparecimento dos sintomas ou agravamento dos mesmos?

Sim (   )                      Não (   )                     Quais:_____________________________

                                                                      

9.    As alterações ocorridas com as condições climáticas mudam as características dos problemas?

Sim (   )                      Não (   )                    

Em que:____________________________

                                                                                    

Na segunda etapa foram feitas pesquisas bibliográficas referentes ao assunto em livros, manuais, internet, artigos e instruções normativas.

 

4          ESTUDO DE CASO

 

4.1 – Realidade de algumas casas populares

 

Várias casas da cidade de Juazeiro do Norte, assim como muitas outras em todo o Nordeste, não tem em sua cultura o hábito de impermeabilizar de forma correta as suas casas, ou simplesmente, não impermeabilizar.

Esses cuidados contra a umidade devem ser iniciados na fase de elaboração dos projetos, indo até a entrega da obra e seguindo por toda a sua vida útil.

 

4.2- O objeto em estudo

 

                        Os dados coletados e analisados para a elaboração deste trabalho foram disponibilizados pelos moradores de algumas casas populares e são referentes aos problemas patológicos provocados pela presença de umidade e suas diversas formas de propagação.

Local: Bairros Franciscanos e Casas Populares.

Número casas visitadas: 14 (quatorze) casas, sendo 7 (sete) no bairro Franciscanos e 7 (sete) no bairro Casas Populares.

Padrão de acabamento: Popular (médio – baixo).

 

 

5             ANALISE E DISCURSSÃO SOBRE O ESTUDO DE CASO

 

Existem vários meios que podem gerar pontos de umidade, como através de condensação, as decorrentes de intempéries, da construção, infiltração ou fluxo superficial, porém a que se apresenta com mais frequência, são as decorrentes de ascensão capilar devido as casas fazerem parte de um padrão popular e os moradores não apresentam disponibilidade de recursos financeiros para uma impermeabilização correta e eficaz logo no início da construção, não sabendo eles que o custo com correções de problemas dessa natureza cresce em função do período em uma progressão geométrica de razão 5 (cinco), ou seja, quanto mais tarde forem sanados os problemas, mais alto será o custo. Figura 11.

 

Figura 11: Principais fontes de propagação de umidade


Fonte: Dados da pesquisa que foi realizada em algumas casas da cidade de Juazeiro do Norte.


6          CONCLUSÃO

 

Mesmo não tendo confiabilidade estatística, devido ao pequeno número de residências da amostra, este trabalho aponta a umidade como responsável por 50% dos problemas patológicos nas edificações, sendo que a principal fonte de umidade encontrada nas paredes de dois bairros da cidade de Juazeiro do Norte, foi à ascensão capilar com 44%, seguida por vazamentos 14%, umidade do reboco 14%, chuva 14%, fluxo superficial 7% e paredes de encostas com 7%.

Esses dados deixam claro que os cuidados contra a umidade devem ter início nos alicerces das construções para que se possa ter casas salubres, em bom estado de conservação e consequentemente mais duráveis.

Como sugestões podem ser citadas: ganho da qualidade nas construções de casas populares mais duráveis, a partir do uso de impermeabilização correta; diminuição de custos com manutenção devido à redução da presença de umidade; qualidade dos ambientes internos e relação custo e benefício dos imóveis.


7          REFERÊNCIAS

 

01.     BORGES, Alberto de Campos; MONTEFUSCO, Elizabeth; LEITE, Jaime Lopes. Prática das Pequenas Construções. 8. Ed. Rev. Amp. São Paulo: Edgard Blücher, 2004.

02.     FERREIRA, Angélica Rodrigues; OLIVEIRA, Ricardo Fonseca de. Patologias na Construção Civil: Estudo de Caso em duas Residências de Iraí. Revista GETEC, v. 10, n. 26, p. 1-16, 2021. Disponível em: https://revistas.fucamp.edu. br/index.php/getec/article/download/2362/1457. Acesso em: 10/11/2022.

03.     FIORITO, Antônio J.S.I. Manual de argamassas e revestimentos: Estudos e Procedimentos de Execução. São Paulo: Pine, 1994. p. 119.

04.     Fonte: Apostila impermeabilização (2009) Faculdade Assis Gurgacz. http://www.fag.edu.br/professores/deboraf/Constru%E7%E3o%20Civ%EDl/2%20bimestre.

05.     NAPPI, Sérgio Castelo Branco, M. Eng. Umidade em Parede: http//:www.labrestauro.ufsc.br/artigos/s.umidade acessado em 21/06/22 às 12h.

06.     QUARTZOLIT, Impermeabilização: http//:www.quartzolitweber.com.br/material-construcao/impermeabilização-paredes-porao.htm, acessado em 27/10/2016 as 12:42.

07.     THOMAZ, E. Tecnologia, Gerenciamento e Qualidade na Construção. São Paulo: Pine, 2001.

08.     VEDACIT, Manual Técnico. (Impermeabilização de Estruturas). 2° ed. 31 p.s.d.

09.     -------------, Manual Técnico. (Recuperação de Estruturas). 1° ed. 102 p.

10.     -------------, Manual Técnico. (Aditivos para Concretos e Argamassas) 1° ed. 2001. 71 p.

11.     -------------, Manual Técnico. 40ª ed. Ano 2004. 164 p.

12.     YAZIGE, Walid. A Técnica de Edificar. 6ª ed. --- rev. e ampl. São Paulo: Pine, 2014. p.514-515-116.

 

 




[1] Graduada em Tecnologia da Construção de Edifícios pelo IFCE, pós graduada em Gerenciamento de Obras pela URCA e Gerenciamento da Construção Civil com Enfoque na Metodologia BIM, Graduanda em Engenharia Civil pela UFCA. E-mail: alexandra.goncalves@aluno.ufca.edu.br

 

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