Uma
abordagem preliminar de uma das causas patológicas mais comuns em construções
de residências, em dois bairros da cidade de Juazeiro do Norte, devido a
umidade
Alexandra Gonçalves da Silva[1]
Resumo
A umidade é responsável por 50% dos problemas
patológicos nas edificações, ocasionando condições de insalubridade e
consequentemente desconforto pessoal, além de contribuir para uma acelerada
deterioração dos respectivos materiais (MANUAL TÉCNICO DA VEDACIT, [2018]). O
presente trabalho tem como objetivo identificar as principais formas de
manifestações de umidade, verificar as patologias decorrentes e finalmente
propor soluções técnicas para essas anomalias. A pesquisa desenvolveu-se por
meio de dados bibliográficos, visitas in loco, observações com registros
fotográficos e coleta de dados através de questionário (idade da edificação,
identificação do problema, possíveis causas, intervenção do proprietário para
minimizar o problema, verificação do que pode ser recuperado e o que tem de ser
refeito e qual o método mais eficiente e econômico). Foram visitadas quatorze casas populares,
sendo que sete no bairro Franciscanos e sete no bairro Casas Populares, onde
foram constatados que 44% dessas casas apresentavam problemas devido à ascensão
capilar, 14% por vazamentos, 14% devido à umidade do reboco, 14% pela presença
da chuva, 7% pelo fluxo superficial da água e mais 7% devido a paredes de
encostas. Portanto concluiu-se que a ascensão capilar é o meio por onde a
umidade se manifesta com maior intensidade, provocando o aparecimento de
maiores patologias nestes locais, ou seja, nos rodapés de paredes.
Palavras-chave:
Umidade. Patologia.
Abstract
Moisture is
responsible for 50% of pathological problems in buildings, causing unhealthy
conditions and consequently personal discomfort, in addition to contributing to
an accelerated deterioration of the respective materials (MANUAL TÉCNICO DA
VEDACIT, [2018]). The present work aims to identify the main forms of humidity
manifestations, verify the resulting pathologies and finally propose technical
solutions for these anomalies. The research was carried out using bibliographic
data, on-site visits, observations with photographic records and data
collection through a questionnaire (building age, problem identification,
possible causes, owner intervention to minimize the problem, verification of
what can be recovered and what has to be redone and what is the most efficient
and economical method). Fourteen popular houses were visited, seven in the
Franciscanos neighborhood and seven in the Popular houses neighborhood, where
it was found that 44% of these houses had problems due to capillary rise, 14%
due to leaks, 14% due to plaster moisture, 14% due to presence of rain, 7% due
to surface water flow and another 7% due to slope walls. Therefore, it was
concluded that capillary rise is the means by which humidity manifests itself
with greater intensity, causing the appearance of greater pathologies in these
places, that is, in the baseboards of walls.
Keywords: Moisture. Pathology
1 INTRODUÇÃO
Desde
sempre os arquitetos e engenheiros, tem tentado combater os problemas
associados à umidade nas edificações. Segundo Cabaça (2002 apud VITRÚVIO, séc.
I a.C), a utilização de paredes duplas de modo a minimizar a penetração das
chuvas nas mesmas e reboco hidráulico para a redução da ascensão capilar na
base dos perímetros já eram recomendados no século I a.C.
A
palavra patologia tem origem grega “páthos” = a doença, e “logos” =
estudo, podendo ser compreendida como o estudo da doença pela ciência. Na
engenharia civil, o termo pode ser atribuído ao estudo de vícios causados aos
empreendimentos e edificações, por falhas visíveis que podem ter sido
originadas, além de outros motivos, pela imaturidade profissional. Dessa forma,
esses problemas são ocorrentes, tanto em construções antigas, quanto em novas
(FERREIRA e OLIVEIRA, 2021).
O
presente trabalho pretende de uma forma sucinta enumerar as causas dos
principais tipos de patologia que ocorrem nas paredes de algumas casas de
padrão popular na cidade de Juazeiro do Norte, situada a 557 km da capital
cearense.
Apesar
de ser muito comum os problemas decorrentes de umidade, seja ela proveniente de
absorção capilar, infiltração ou fluxo superficial, condensação, higroscópica
ou condensação capilar, a população Juazeirense ainda não se conscientizou de
que a forma mais simples e econômica de se ter uma casa de qualidade, é
adotando procedimentos construtivos adequados, bem como utilizar corretamente
os materiais apropriados existentes no mercado, de modo a garantir a
estanqueidade necessária aos componentes da obra expostos a água ou a ação da
chuva.
Mas
não é somente a população do Juazeiro do Norte que não tem essa preocupação em
impermeabilizar as suas casas, no Nordeste do Brasil inteiro não existe essa
cultura. Isso acontece porque na região nordeste o clima é relativamente seco e
na maior parte do ano não chove. Devido esse fato, as pessoas só costumam ter
noção de algum problema com a umidade, depois de ocorrerem às primeiras chuvas.
Em
outros países do mundo, principalmente os europeus, não é assim que acontece.
Os engenheiros, arquitetos e construtores têm uma preocupação muito grande com
a impermeabilização de suas obras, isso porque nesses países os empresários da
construção civil têm a exata noção do alto custo com reparos nas áreas mal
impermeabilizadas e das rigorosas leis de proteção aos direitos dos
consumidores.
Segundo
o Manual técnico da Vedacit (2019), empresa do ramo de produtos
impermeabilizantes, os gastos com proteção contra umidade, desde que previstos
no projeto e utilizados desde a fundação até o acabamento, representam de 1% a
3% do custo total da obra.
Já
quando o trabalho é adotado para a correção de problemas gerados pela não
utilização dos impermeabilizantes, essa marca pode ultrapassar até 15% do valor
desse mesmo imóvel. (ibid).
Primeiramente
analisar-se-á os diferentes meios de facilitação da presença da umidade, como
eles se difundem, qual a sua origem, para posteriormente se analisarem as
patologias que podem ocorrer bem como as causas associadas às mesmas e a forma
mais eficaz de evitar e corrigir.
Um
problema patológico segundo [SHIRAKAWA et al., 1995] pode ser entendido como
uma situação em que o edifício ou parte dele, em um determinado instante de sua
vida útil, não apresente o desempenho previsto.
Este
trabalho tem como objetivo identificar os principais mecanismos que podem gerar
a umidade em algumas casas populares da cidade de Juazeiro do Norte – CE, bem
como abordar assuntos referentes a patologias e soluções para tais problemas.
2 MECANISMOS QUE PODEM GERAR PATOLOGIAS
EM PAREDES DEVIDO A PRESENÇA DE UMIDADE
A
água é um dos mais ponderáveis fatores de desgaste e depreciação das
construções, devido ao seu extraordinário poder de penetração. Para SOUZA (2008
p. 8), os defeitos mais comuns na construção civil, são decorrentes da
penetração de água ou devido à formação de manchas de umidade. Estas que podem
se manifestar em diversos elementos das edificações, como: paredes, pisos,
fachadas e elementos de concreto armado. KLEIN (1999) define umidade, no âmbito
da engenharia como a “qualidade ou estado úmido ou ligeiramente molhado”.
Diante
disso, a impermeabilização se faz uma das etapas mais importantes na
construção, devendo ser tratada com a devida atenção por parte dos engenheiros,
construtores, arquitetos e projetistas. O ato de impermeabilizar uma
superfície, impedindo que a água ou qualquer fluido atravesse essa área ou
objeto, propicia uma eficiente proteção aos diversos elementos de uma obra
sujeitas às ações das intempéries, permitindo a habitabilidade e funcionalidade
da edificação, evitando também, o aparecimento de inúmeros problemas
patológicos que poderão surgir com infiltração de água.
São
várias as formas sob as quais as patologias, devidas à presença de umidade,
podem se manifestar. Para cada tipo de caso podem se manifestar vários sintomas
diferentes, os quais poderão ser detectados visualmente, através de ensaios,
análises ou cálculos específicos. Muitas vezes, apenas a observação visual
poderá acarretar incertezas, devido ao fato de vários destes sintomas não serem
específicos de um dado tipo de patologia.
Pode-se
afirmar que a umidade em parede se manifesta de várias formas diferentes:
• Umidade
ascendente;
• Umidade
de condensação;
• Umidade
decorrente da higroscópicidade;
• Umidade
decorrente de intempéries;
• Umidade
de construção;
• Infiltração.
Figura
01: Fatores contributivos para manifestação de umidade em paredes
Fonte:
Apostila impermeabilização (2009) Faculdade Assis Gurgacz.
http://www.fag.edu.br/professores
Dentre
as citadas acima, a mais recorrente nas casas visitadas foi a umidade
ascendente por capilaridade.
2.1 Umidade ascendente por
capilaridade
Segundo
Yazigi (2004, P. 514), “a água é contida, através de canais capilares
existentes no material, pela tensão superficial”.
“Caso
a água seja absorvida permanentemente pelo material de construção em região em
contato direto com o terreno, e não seja eliminada por ventilação, será
transportada gradativamente para cima, pela capilaridade (ibid.)”.
Figura 02: Esquematização geral da ascensão de água
por capilaridade.
Fonte:
Sonia Cabaça [mn_9_nov_2002_humidade6.pdf]
Segundo
Thomas (1989), “a água presente no solo poderá ascender por capilaridade à base
da construção desde que os diâmetros dos poros capilares e o nível do lençol de
água assim permitam”.
Portanto não havendo impermeabilização entre o solo e base da
construção, a umidade terá acesso aos seus componentes, podendo trazer sérios
inconvenientes a pisos e paredes do andar térreo, como podemos observar na figura
2 e 3.
Figura
03: Reboco soltando
Fonte: Residência do bairro Franciscano – Juazeiro do Norte - CE
Segundo
Nappi (1996), “a ascensão de águas nas paredes é inversamente proporcional ao
diâmetro dos poros, ou seja, quanto menor o seu diâmetro maior é a altura que a
água poderá atingir”.
De acordo com Nappi (ibid, 1996), “estes
condutos capilares são canais de diâmetros finíssimos, que serpenteiam através
dos materiais com água que avança vencendo a força da gravidade”.
Segundo
Nappi (1996 apud EICHLER, 1973), a água pode atingir as seguintes alturas:
Tabela
01 Altura que a água pode atingir por capilaridade
|
Diâmetro dos capilares (mm) |
Altura máxima (mm) |
|
1,00 |
15 |
|
0,01 |
1.500 |
|
0,0001 |
1.50000 |
Fonte: www.labrestauro.ufsc.br/artigos/5.umidade
De
maneira geral, segundo Nappi, “pode-se dizer que a ascensão de água numa parede
acontecerá até o nível em que a quantidade de água evaporada seja igual à
absorvida do solo”.
Existem
basicamente dois tipos de fonte nesse caso de alimentação de água nas paredes:
lençol freático e águas superficiais.
Figura
04 - Caso de umidade ascendente de águas superficiais numa parede exterior.
.
Fonte: Residência do bairro Casas Populares –
Juazeiro do Norte – CE
Nas
situações em que a umidade é proveniente de águas freáticas, de acordo com
Nappi, “os fenômenos apresentam-se inalterados durante o ano todo, em virtude
do tipo de fonte de alimentação permanecer ativo no período inteiro, além da
altura das manchas de umidade ser constante em todas as paredes, sendo maiores
nas interiores que nas exteriores em função das condições de evaporação ser
menos favoráveis”.
Porém,
quando são as águas superficiais que acarretam a umidade, (ibid), os fenômenos
apresentam variações durante o ano, à altura da umidade pode variar de parede
para parede, sendo de níveis mais altos nas exteriores que nas interiores na
medida em que são mais afastadas das respectivas fontes de alimentação.
Para
minimizar esses vícios construtivos é de suma importância a escolha adequada
dos materiais aplicados, destacando-se a impermeabilização, e adoção de
técnicas construtivas como drenagens que minimizem o transporte da umidade do
solo para as alvenarias. Para Salomão (2012), existem diferentes abordagens
para o tratamento da umidade ascendente, entre as quais se destacam:
1. Métodos cujo objetivo é impedir a ascensão da
água nas paredes visando rebaixar o nível freático, isso pode ser conseguido
com diferentes métodos. Este tipo de estratégia apresenta-se muito condicionada
ao tipo de solo e ainda com o espaço existente;
2. Métodos destinados a retirar a água em excesso
das paredes, onde neste grupo de métodos destaca-se a utilização de eletrodos
magnéticos;
3. Métodos que visam impedir o acesso de água às
paredes, que incluem a criação de barreiras físicas ou químicas, nas paredes;
4. Métodos que buscam ocultar as anomalias, onde se
incluem rebocos especiais (de porosidade controlada), e a criação de paredes
para a ocultação das zonas afetadas.
2.2 Principais patologias decorrentes da
umidade
Patologia
estuda os sintomas, os mecanismos, as causas e as origens dos defeitos das
construções, ou seja, o diagnóstico dos problemas.
Geralmente
o problema é identificado a partir das manifestações ou sintomas, patológicos
que se traduzem por modificações estruturais e funcionais no edifício ou na
parte afetada representando os sinais de aviso dos defeitos surgidos.
Em
determinadas situações, os sintomas a serem reconhecidos podem não provocar uma
deterioração aparente dos materiais, como é o caso das fissuras em
revestimentos de fachadas, por exemplo, que apesar de não apresentar uma
questão de perigo iminente para o revestimento, ou seja, de ruína, devem ser
corretamente constatadas e verificadas suas causas.
Cabe
lembrar, porém, que as patologias segundo Shirakawa (ibid), “constituem um
processo dinâmico e assim sendo, as manifestações, numa determinada época, pode
apresentar um aspecto completamente distinto que numa outra, estando em
constante evolução”.
De
acordo com VERÇOZA (1991) a umidade não é apenas uma das causas de
manifestações patológicas, ela age também como um meio necessário para que
grande parte das anomalias e falhas em construções ocorra. Ela é fator
essencial para o aparecimento de eflorescências, ferrugens, mofo, bolores,
perda de pinturas, de rebocos e até a causa de acidentes estruturais.
2.3 Determinação da origem patológica
Um
diagnóstico adequado do problema deve indicar em que etapa do processo teve
origem o fenômeno patológico.
Dados
analisados pela Vedacit, mostrados na figura 5, revelam a maioria das origens e
natureza das falhas.
Figura 05: Origens das falhas
Fonte: Manual técnico da Vedacit
Figura 06: Natureza das falhas
Fonte: Manual técnico da Vedacit.
Outro
fator importante que contribui para a degradação desenfreada de um imóvel é a
falta de manutenção preventiva.
Figura 07: Lei de Sitter
Fonte: Informação obtida em sala de aula.1
________________________________
¹ Informação fornecida
por Paulo de Souza Tavares Miranda em aula da disciplina Patologia e
Recuperação de Estruturas, em Juazeiro do Norte em fevereiro de 2005.
Como
é possível constatar na figura 07, os custos finais da manutenção corretiva são
muito superiores aos da manutenção preventiva. O ponto de cruzamento das linhas
coincide, em geral, com o início da propagação elevada das falhas, exigindo
intervenção de alto custo.
Quanto
mais cedo forem executadas as correções, mais duráveis, efetivas, fáceis e
baratas serão. A demonstração de correção mais expressiva dessa afirmação é a
chamada “Lei de Sitter”.
Lei de Sitter: os custos de correções crescem em função
do período em uma progressão geométrica de razão 5 (cinco). (Informação verbal)
¹.
Figura 08: Custo relativo da intervenção
Fonte: Manual técnico da Vedacit
2.4 Soluções técnicas de impermeabilização
para evitar e corrigir esses problemas
Antigamente
quando não havia impermeabilizantes, as edificações eram providas de porões e
alguns construtores impregnavam os tijolos e as pedras com soluções de gordura
animal ou silicatos insolúveis provenientes da cal, com a finalidade de
protegê-las da umidade proveniente do solo.
Segundo
Borges,” o concreto e as argamassas utilizadas nos revestimentos possuem poros,
trincas e pequenas fissuras, na maioria das vezes imperceptíveis, mas que com a
presença da água seja por capilaridade, percolação, entre outros, acabam dando
origem a pontos de umidade ou até mesmo vazamentos.”
Figura
09: Umidade ascendente por capilaridade
Fonte:
Apostila impermeabilização (2009) Faculdade Assis Gurgacz.
http://www.fag.edu.br/professores
Impermeabilidade
é a propriedade de um produto de ser impermeável. A sua determinação está
associada a uma pressão limite convencionada em ensaios específicos.
De
acordo com a Quartzolit,” a impermeabilização é um processo de proteção
destinado a preservar a construção contra os efeitos da umidade e de vapores.
Sejam eles provenientes do solo ou das chuvas”.
Conforme
Yazigi (2004), aditivos impermeabilizantes “são aditivos de ação
físico-química, constituídos por sais orgânicos em forma liquida, pastosa ou em
pó, que misturados à argamassa ou ao concreto reagem com a cal livre do
cimento, formando sais de calcários insolúveis”.
Figura
10: Impermeabilização de baldrame
Fonte:
Apostila impermeabilização (2009) Faculdade Assis Gurgacz.
http://www.fag.edu.br/professores
Esses
aditivos reagem com o calcário do cimento, e o composto resultante repele a
água.
O
projeto de impermeabilização deverá ser desenvolvido conjuntamente com o
projeto geral e os projetos setoriais de modo a serem previstas as
correspondentes especificações em termos de dimensões, cargas e detalhes.
A
elaboração de projetos para impermeabilização deve ser de acordo com a NBR 9575
da ABNT e devem conter memoriais descritivos e justificativos; desenhos e
detalhes específicos; especificações dos materiais a serem empregados e dos
serviços a serem realizados.
Para
se obter um bom desempenho na aplicação dos sistemas de impermeabilização,
devemos tomar alguns cuidados na preparação da superfície:
§
A superfície deve estar desimpedida
e livre para o trabalho de impermeabilização;
§
Localizar eventuais
falhas de concretagem, removendo as partes soltas e preparar a superfície com
argamassa especifica:
§
Providenciar limpeza
enérgica da superfície, removendo excesso de concreto, madeira, ferro, poeira, etc.
Quando houver óleo, graxas, desmoldantes ou hidrofugantes no concreto, utilizar
jateamento com água sob pressão para total limpeza;
§ Umedecer a superfície com água em abundância antes
da regularização, para melhor aderência no substrato.
3 METODOLOGIA
A pesquisa sobre as principais fontes de propagação
de umidade, foi realizada na cidade de Juazeiro do Norte e dividida em duas
etapas.
A primeira etapa
iniciou-se com visitas feitas a quatorze casas populares, sendo que sete no
bairro Franciscanos e sete no bairro Pio XII. Essa primeira etapa destinou-se a
identificar os principais mecanismos que geravam umidade, a verificar as
patologias decorrentes e a propor soluções técnicas para evitar esses
problemas.
No momento da
coleta de dados in loco foram feitos questionários com os moradores das
devidas casas e registros fotográficos dos principais mecanismos geradores de
umidade e as patologias resultantes.
No questionário foram
analisados os seguintes tópicos:
QUESTIONÁRIO
Nome: _________________________________________________________
Rua:______________________________________N°______Bairro:____
___
Escolaridade: ( )
Analfabeto ( ) Básico ( ) Superior
( ) Fundamental ( ) Médio ( ) Outros
1. Quais são os problemas?
______________________________________________________________________________________________________________________________
2. Quando foram constatados os sintomas pela
primeira vez?
______________________________________________________________________________________________________________________________
3. No decorrer da construção foram feitas
modificações nos procedimentos de execução ou de especificações de materiais?
Sim ( ) Não
( )
Quais:_____________________________
4. Foram tomados os cuidados necessários quanto à
manutenção e limpeza?
Sim ( ) Não
( )
5. Aconteceram fatos não previstos?
Sim ( ) Não
( ) Quais:_____________________________
6.
Quando o
usuário notou pela primeira vez o problema e quando resolveu intervir?
______________________________________________________________________________________________________________________________
7. Haveria possibilidade de recordar de algum
fato que esteja ligado ao aparecimento do problema?
Sim ( ) Não
( ) Qual:______________________________
8. Ocorreram episódios de reaparecimento dos
sintomas ou agravamento dos mesmos?
Sim ( ) Não
( ) Quais:_____________________________
9. As alterações ocorridas com as condições
climáticas mudam as características dos problemas?
Sim ( ) Não
( )
Em
que:____________________________
Na segunda etapa foram feitas pesquisas
bibliográficas referentes ao assunto em livros, manuais, internet, artigos e
instruções normativas.
4 ESTUDO DE CASO
4.1 – Realidade de algumas casas populares
Várias casas da cidade de Juazeiro do Norte, assim
como muitas outras em todo o Nordeste, não tem em sua cultura o hábito de
impermeabilizar de forma correta as suas casas, ou simplesmente, não
impermeabilizar.
Esses cuidados contra a umidade devem ser iniciados
na fase de elaboração dos projetos, indo até a entrega da obra e seguindo por
toda a sua vida útil.
4.2- O objeto em estudo
Os
dados coletados e analisados para a elaboração deste trabalho foram disponibilizados
pelos moradores de algumas casas populares e são referentes aos problemas
patológicos provocados pela presença de umidade e suas diversas formas de
propagação.
Local: Bairros Franciscanos e Casas Populares.
Número casas visitadas: 14 (quatorze) casas,
sendo 7 (sete) no bairro Franciscanos e 7 (sete) no bairro Casas Populares.
Padrão de acabamento: Popular (médio –
baixo).
5
ANALISE
E DISCURSSÃO SOBRE O ESTUDO DE CASO
Existem vários meios que podem gerar pontos de
umidade, como através de condensação, as decorrentes de intempéries, da
construção, infiltração ou fluxo superficial, porém a que se apresenta
com mais frequência, são as decorrentes de ascensão capilar devido as casas
fazerem parte de um padrão popular e os moradores não apresentam
disponibilidade de recursos financeiros para uma impermeabilização correta e
eficaz logo no início da construção, não sabendo eles que o custo com correções
de problemas dessa natureza cresce em função do período em uma progressão
geométrica de razão 5 (cinco), ou seja, quanto mais tarde forem sanados os
problemas, mais alto será o custo. Figura 11.
Figura 11: Principais fontes de propagação
de umidade
Fonte: Dados da pesquisa que foi realizada
em algumas casas da cidade de Juazeiro do Norte.
6 CONCLUSÃO
Mesmo não tendo confiabilidade estatística, devido
ao pequeno número de residências da amostra, este trabalho aponta a umidade
como responsável por 50% dos problemas patológicos nas edificações, sendo que a
principal fonte de umidade encontrada nas paredes de dois bairros da cidade de
Juazeiro do Norte, foi à ascensão capilar com 44%, seguida por vazamentos 14%,
umidade do reboco 14%, chuva 14%, fluxo superficial 7% e paredes de encostas
com 7%.
Esses dados deixam claro que os cuidados contra a
umidade devem ter início nos alicerces das construções para que se possa ter
casas salubres, em bom estado de conservação e consequentemente mais duráveis.
Como sugestões podem ser citadas: ganho da qualidade
nas construções de casas populares mais duráveis, a partir do uso de impermeabilização
correta; diminuição de custos com manutenção devido à redução da presença de
umidade; qualidade dos ambientes internos e relação custo e benefício dos
imóveis.
7 REFERÊNCIAS
01.
BORGES, Alberto de Campos;
MONTEFUSCO, Elizabeth; LEITE, Jaime Lopes. Prática das Pequenas Construções.
8. Ed. Rev. Amp. São Paulo: Edgard Blücher, 2004.
02.
FERREIRA, Angélica Rodrigues;
OLIVEIRA, Ricardo Fonseca de. Patologias
na Construção Civil: Estudo de Caso em duas Residências de Iraí. Revista
GETEC, v. 10, n. 26, p. 1-16, 2021. Disponível em: https://revistas.fucamp.edu. br/index.php/getec/article/download/2362/1457. Acesso em: 10/11/2022.
03.
FIORITO, Antônio J.S.I. Manual
de argamassas e revestimentos: Estudos e Procedimentos de Execução. São
Paulo: Pine, 1994. p. 119.
04.
Fonte: Apostila impermeabilização (2009) Faculdade Assis Gurgacz.
http://www.fag.edu.br/professores/deboraf/Constru%E7%E3o%20Civ%EDl/2%20bimestre.
05.
NAPPI, Sérgio Castelo Branco, M.
Eng. Umidade em Parede: http//:www.labrestauro.ufsc.br/artigos/s.umidade acessado em 21/06/22 às 12h.
06.
QUARTZOLIT, Impermeabilização: http//:www.quartzolitweber.com.br/material-construcao/impermeabilização-paredes-porao.htm,
acessado em 27/10/2016 as 12:42.
07.
THOMAZ, E. Tecnologia,
Gerenciamento e Qualidade na Construção. São Paulo: Pine, 2001.
08. VEDACIT, Manual
Técnico. (Impermeabilização de Estruturas). 2° ed. 31 p.s.d.
09.
-------------, Manual Técnico.
(Recuperação de Estruturas). 1° ed. 102 p.
10.
-------------, Manual Técnico.
(Aditivos para Concretos e Argamassas) 1° ed. 2001. 71 p.
11. -------------, Manual Técnico. 40ª ed. Ano 2004. 164 p.
12.
YAZIGE, Walid. A Técnica de
Edificar. 6ª ed. --- rev. e ampl. São Paulo: Pine, 2014. p.514-515-116.
[1] Graduada em Tecnologia da Construção
de Edifícios pelo IFCE, pós graduada em Gerenciamento de Obras pela URCA e
Gerenciamento da Construção Civil com Enfoque na Metodologia BIM, Graduanda em
Engenharia Civil pela UFCA. E-mail: alexandra.goncalves@aluno.ufca.edu.br
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